10 de fevereiro de 2011

“... A vida, Senhor Visconde, é um pisca-pisca.
A gente nasce, isto é, começa a piscar.
Quem para de piscar, chegou ao fim, morreu.
Piscar é abrir e fechar os olhos – viver é isso.
É um dorme – e – acorda, dorme – e – acorda, até que dorme e não acorda mais.
A vida das gentes neste mundo, Senhor Sabugo, é isso. Um rosário de piscadas.
Cada pisco é um dia.
Pisca e mama;
Pisca e anda;
Pisca e brinca;
Pisca e estuda;
Pisca e ama;
Pisca e cria filhos;
Pisca e geme de reumatismos;
Por fim, pisca pela última vez e morre.
- E depois que morre? Perguntou o Visconde.
- Depois que morre, vira hipótese. É ou não é?"
(Fragmento: Memórias de Emília , 1936 – Monteiro Lobato).

Só discordo de uma coisa: Depois que morre, não acredito que seja hipótese... Mas isso já é uma questão de Fé... É ou não é?

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